Aos vinte e cinco anos, mimado e sem experiência, um paulista de Viradouro decide sair de sua pequena cidade com 17.000 habitantes para uma metrópole aproximadamente 1117 vezes maior, São Paulo. Este jovem seria louco, ou apenas ousado? Bem, eu sou suspeito em dizer alguma coisa, afinal, este jovem sou eu mesmo, Ricardo Januário.
O primeiro post onde falo de mim mesmo. Pode parecer estranho para quem me conhece ler o que vou escrever agora, mas, me é estranho falar sobre mim mesmo.
Minha chegada em São Paulo não foi das melhores, mas, com certeza, está muito longe de ser uma das piores. Gripes, resfriados, insegurança e até algumas decepções… Sim, isso mesmo, decepções. Nada acontece por acaso, isso é o que eu acredito. Saí de Viradouro confiante, na certeza e que me tornaria um web designer aqui na capital, fui surpreendido com a reprova no emprego que me parecia tão certo que motivou a minha vinda… Para minha surpresa… Não obtive resposta até hoje.
Em outros tempos eu diria que infelizmente esta não fora minha única reprova, porém, hoje posso dizer que felizmente não a foi. Antes de conquistar meu primeiro emprego aqui na capital, passei por outras 4 entrevistas nos meus primeiros 15 dias. Não fico triste por nenhum dos resultados não tão positivos, pois serviram para me direcionar para o emprego que tenho hoje, instrutor de informática em uma renomada escola escola de cursos profissionalizantes em um bairro importante.
Não só de experiências profissionais se fazem estes primeiros 90 dias. Grandes momentos de alegria tomaram conta de mim, conheci pessoalmente um dos meus maiores amigos virtuais, chamado carinhosamente “Gilli”, inteligente, racional e com ótimos argumentos, este meu amigo merece todo o meu respeito, pois realmente é raro encontrar uma pessoa sincera e divertida, que saiba respeitar a opinião dos outros e suas individualidades.
Estou até hoje entusiasmadíssimo e não diminui o amor que sinto por ele, o METRÔ de São Paulo. Em 59 dias realizei um de meus primeiros planos, conheci todas as estações do metrô, linha vermelha, azul, verde, amarela e lilás. Me desculpem paulistanos, sei que nasci paulista, e paulista morrerei, más, essa minha conquista me orgulha. Pode até ser que no horário de pico matinal e vespertino haja uma certa dificuldade de utilizar o metrô, porém, nem estas limitações de conforto foram capazes de me desmotivar. Antes que alguém diga que eu digo gostar tanto do metrô porque não embarco de manhã ou às 18h, nas minhas entrevistas de emprego, como uma que fiz na parada inglesa, eu tinha que estar por lá às 9h, sendo que saí de casa às 6h 30min… Bom, acho que isso responde… Conheço os trens do metrô muito bem a qualquer horário, seja às 7h ou às 23h e 50min… Sei dos problemas de infra-estrutura, e sei de organização, porém, não serei eu quem irá resolvê-los. Ninguém, senão a própria população poderá resolver estes problemas.
De Capão Redondo à Guaianazes, Tucuruvi à Jabaquara, Cidade Tiradentes ao Templo Zu Lai em Cotia, estes são alguns dos meus roteiros de passeio na cidade grande. Nesta jornada, outros nomes importantes surgiram para agregar valor à história da minha vida. Magno, Arthur, Monique, Ana, Carlos, Jailson, Jean, são apenas alguns deles. São muitas pessoas para muito pouco tempo de estadia na cidade. Fico feliz por encontrar tanta gente boa e acolhedora. Algumas muito presentes, outras nem tanto, acredito que tenho minha parcela de culpa, mesmo assim, espero que possa ter contribuído com cada uma das pessoas que já conheci e ainda irei conhecer.
Tive a oportunidade de trabalhar em uma multi-nacional, mas me demití na primeira semana. Infelizmente sou muito exigente, não só com as pessoas ao meu redor, mas, comigo mesmo. Exijo de mim mesmo um sorriso no rosto, empatia e atenção para com o próximo. Agora, para que isso aconteça é necessário que haja a conversa entre homens, para que se firme um acordo. O que acontece quando de um lado tem um Homem e do outro lado das negociações temos algum homem? A resposta: Temos um desentendimento e uma parte insatisfeita. Neste caso, faço valer o ditado “Os incomodados que se mudem”. Como cavalheiro, optei pela minha dignidade, e por este motivo, faço valer meus ideais, o dinheiro não é o mais importante, o bem estar e a ambiente são o mais importante. Hoje, estou novamente feliz em meu emprego, em uma grande e reconhecida instituição de cursos profissionalizantes.
Em São Paulo tive muitas oportunidades, entre elas, a de realizar sonhos de infância, tal como conhecer o mar. Talvez meu avô ainda não saiba, mas, fui para o Guarujá no dia 22/07 e no dia 24 tive a oportunidade de ter uma das minhas mais excitantes experiências, me deparar com o gigante azul ao lado de alguém especial.
Embora eu saiba que o universo é “infinito”, demonstrando toda a grandeza de seu Criador, refletindo o quão ínfimo é o ser humano, a grandeza do universo é algo intangível. Então prefiro a grandeza do mar, próximo, tangível, e não tão grande quanto o universo, mas, muito superior do que meus maiores pensamentos e sonhos se mostraram nestes 25 anos. Me senti diminuído, incapaz, as pernas que me sustentam, por segundos pareceram incapazes de me carregar. Os olhos visionários, ambiciosos, os pensamentos audazes, e os ar de prepotência pareceram não fazer parte de mim. Estar na beirada do mundo, na ultima faixa terrestre antes da imensidão aquática e não ver onde terminava aquela imensidão azul me tirou o solo. Eu queria enxergar terra do outro lado do mar, “apenas” alguns milhares de quilômetros separando América da África, o caminho bem à minha frente, coberto por água, escondendo segredos ainda não desvendados pelo homem. Uau! Esse tipo de pensamento me fez enxergar e entender meu verdadeiro tamanho. Lembrar quantos desbravadores deram suas vidas para que hoje possamos saber um pouco mais sobre povos distantes… Qual minha parcela de contribuição nessa história? Qual meu grande feito? Meu descobrimento? Não estou me diminuindo, apenas me colocando à refletir, que legado pretendo deixar? Qual será meu capítulo na história? Ainda me encontro em certos momentos, revendo minhas ambições. O ponto chave dessa experiência foi que eu mantenho consciência de minha lucidez, me conheço o bastante para dizer que são poucas as pessoas que me compreendem perfeitamente como sou, mas algumas se esforçam e entendem um pouco à meu respeito. Aumentei meus valores, e estou convicto de que não vou me render facilmente aos desafios que surgirem em meu caminho.
Estes 90 dias estão sendo dias de altos e baixos, mas, a vida não é uma constante, do contrário, não seria tão prazerosa de ser vivida. Planos, sonhos, amores, perdas, vitórias, frustações e alegrias, são apenas algumas das sensações que nos preenchem e afloram nos mais variados momentos.
Acertar ou errar, é uma questão de ponto de vista. A verdade absoluta não deve estar contida nas mãos de um ser humano. Somos muito voláteis para carregar um tesouro tão precioso quanto a verdade, mas isso não significa que devemos viver de mentiras. Se eu disser que estou feliz por estar morando em são Paulo, não estarei mentindo, mas não estarei dizendo toda a verdade. Estou satisfeito por estar aqui, mas, não estou tomado por esta satisfação. Há momentos que sou capaz de me sentir sozinho, mesmo estando em meio a 19milhões de pessoas… Tanta gente, tanta conversa, tantos sentimentos… Tudo isso chega a ser dispensável por não ter quem realmente importa ao nosso lado. Sei que há pessoas sentindo saudades de mim, a recíproca é verdadeira, porém, não quero que se preocupem comigo, estou muito bem, e acredito que ficarei ainda melhor. O Pai está comigo e jamais me desamparará. Neste 1/4 de século que estou aqui, já descobri que muitas coisas não são o que parecem, e aprendi que possuo muitos talentos, o mais importante é a vida, todos nascemos com este talento, alguns o guardam, outros o multiplicam, tenho certeza que multipliquei meu talento, e que continuo a multiplicá-lo. Até quanto? Eu não sei… Por quê? Por que eu quero viver, não somente ser vivo. Para quê? Respondo esta pergunta com outra pergunta, para que ou para quem vivemos? Essa resposta é individual, mas a minha é simples, vivo pelo amor à vida, não só a minha, mas toda forma de vida que existe.
Você é o que você quer ser, querer é poder, mas só para os fortes, para aqueles que creem. Nunca desista, ninguém fará por você nada do que você mesmo não seria capaz de fazer por outra pessoa. Se é verdade que cada um tem o que merece, estou feliz com o que tenho, e acho que preciso me mover mais para compensar os bônus que a vida tem me dado.